quinta-feira, 23 de junho de 2011

Saiba tudo sobre: "The Dark Side of the Moon"

O oitavo álbum do Pink Floyd ,"The Dark Side of the Moon", lançado em 1973 é considerado por muitos críticos como a obra-prima da banda , superando até mesmo "The Wall".
Estima-se que o álbum, que vendeu cerca de 30 milhões de álbuns ao redor do mundo, esteja na casa de um terço do ingleses.
O disco fala essencialmente das pressões da vida, como tempo, dinheiro, guerra, loucura e morte.



Syd Barret

Para entender o álbum é necessário antes de tudo conhecer o personagem que desencadeou o processo criativo do mesmo: Syd Barret, um dos membros fundadores, em 1965, do Pink Floyd.
À medida que a fama dos Pink Floyd aumentava, assim como o consumo de drogas psicotrópicas 
(como o LSD) principalmente por Syd, o seu comportamento se tornava mais instável, tornando seus shows cada vez mais imprevisíveis.
Em 1967, durante a turnê da banda pelos EUA, Syd começou a ficar completamente difícil e sua presença na  
banda era cada vez mais ausente. Isso fez com que, passado dois anos da criação dos Pink Floyd, ele teve de abandonar o grupo.
A intenção inicialmente era que mesmo não atuando em apresentações ao vivo, Syd continuasse a contribuir com as canções do grupo, uma vez que ele era o principal compositor da banda. Porém , mesmo afastado Syd era indiferente e seu comportamento cada vez mais errático.
No lugar de Syd, a banda contratou o David Gilmour que logo se demonstrou talentoso na guitarra e nos vocais. E o baixista Roger Waters se tornou o líder do grupo.
O declínio de Syd teve uma profunda influência na criação dos álbuns, "The Wall"(1982), "Wish you here"(1975) e enfim "The Dark Side of The Moon"(1973).


O álbum


O álbum contém um sofisticado uso de instrumentos e efeitos sonoros, como o som de múltiplos relógios ou de uma pessoa correndo ao redor de um microfone. Até hoje "The Dark Side of The Moon" é uma referência para audiófilos que o usam para testar a fidelidade de equipamentos de áudio.
Entre as faixas há ainda trechos de diálogos de pessoas entrevistadas para a criação do obra, entre eles funcionários da banda e da equipe técnica.
A complexidade do disco se confunde com a própria complexidade humana falando de temas universais e atemporais. Submissão ao tempo e dinheiro, paranoias, solidão e falta de empatia são temas  que angustiam ainda hoje a sociedade.

Faixas
1 e 2-Speak To Me / Breathe
A maioria das versões unem "Speak To Me a" a "Breathe", como no vídeo acima.
A primeira faixa do albúm "Speak To Me" é composta apenas por efeitos sonoros. Na faixa dá para ouvir trechos de outras músicas do disco como as batidas do coração do final de "Eclipse", os sons dos relógios de "Time", a caixa registradora de "Money", as risadas da faixa "Brain Damage" e os gritos de "The Great Gig in the Sky".Pode-se ainda ouvir algumas falas:


"I've been mad for fucking years, absolutely years./ Been over the edge for yonks./Been working me buns of for bands..."
 "Eu estive louco durante muitos anos , malditos anos./Estive em cima dos limites dos tempos./Estive fazendo um monte de pães"

"I've always been mad, I know I've been mad, like the most of us... very hard to explain why you1re mad, even if you're not mad..."
"Eu sempre estive louco, eu sei que eu estive louco, como a maioria de nós... muito difícil explicar porque você está louco, até mesmo se você não está louco"



Já  "Breathe" é mais melancólica, com uma batida mais suave. Ela trata essencialmente da solidão e é uma referência óbvia ao isolamento social de Syd.

3-On the Run

É uma faixa essencialmente instrumental. As batidas rápidas e repetidas dão um ar totalmente futurista à música.Uma das melhores músicas do albúm.Uma curiosidade é que esta canção foi tema do game Top Gear.

4-Time 

A introdução da música chama bastante atenção por ser longa e pelos sons de alarmes e relógios tocando.
A letra fala sobre a preocupação que todos nós temos em controlar o tempo e sobre planos não realizados.
O trecho a seguir resume bem toda a mensagem da música:

"The time is gone the song is over, thought I'd something more to say"
"O tempo se foi, a canção terminou, pensei que tivesse algo mais a dizer"

No final tem ainda mais um trecho de "Breathe" que serve de introdução para a música a seguir.

5-The Great Gig in the Sky
A música começa bem leve com um piano. Logo entram os gritos harmônicos de Clare Torry deixando a canção mais melancólica. A dualidade do piano com a voz de Torry dá o tom à música.
As falas presentes na música denunciam que a intenção é criar uma atmosfera sobrenatural, uma espécie de trilha sonora para a hora da morte.

"And I am not frightened of dying/any time will do, I don't mind/Why should I be frightened of dying?"

E eu não estou com medo de morrer,/a qualquer hora pode acontecer, eu não me importo./Por que estaria com medo de morrer?

"'There's no reason for it,/you've gotta go sometime.'/'I never said I was frightened of dying'."
"'Não há razão para isso,/você tem que ir algum dia'/'Eu nunca disse que estava com medo de morrer'"

6-Money


Com uma introdução parecida com a de "Time", porém com o som de uma caixa registradora ao invés dos relógios. A letra é propositadamente contraditória: ao mesmo tempo que afirma que o dinheiro é o mal da humanidade, ele enaltece todos os benefícios que ter dinheiro traz. 

Observe, nesta estrofe como o individualismo e a glorificação do dinheiro imperam:

"Money, it's a hit./Don't give me that do goody good bullshit./ I'm in the high-fidelity first class travelling set/And I think I need a Lear Jet"

"Dinheiro, é um sucesso./Mas não me venha com essa grande bobagem./Estou no grupo de viagem de primeira classe e alta fidelidade./E acho que preciso de um jatinho"



Já nesta outra estrofe, como num surto de falso moralismo eles afirmam:

"Money, it's a crime./Share it fairly but don't take a slice of my pie./Money, so t hey say/Is the root of evil today."

"Dinheiro, é um crime./Divida-o de modo justo mas não pegue um pedaço da minha torta./Dinheiro, assim eles dizem./É a raiz de todo mal hoje em dia"



7-Us and Them


A música é uma reflexão sobre a guerra. O eu-lírico lamenta por estar na guerra e mostra compaixão por seus inimigos de guerra. 

"Us, and them/ And after all we're olnly ordinary men./Me, and you./God only knows it's not what we would choose to do."
"Nós e eles./E afinal somos todos homens comuns./Eu e você./Só Deus sabe que não é isso que teríamos escolhido"

8-Any Colour You Like
Musica totalmente instrumental.Especula-se que a ligação da canção com o conceito restante de "The Dark Side of the Moon" seja sobre a falta de escolha que rege sobre a sociedade humana.
O titulo da canção se originou de uma frase que um técnico do estúdio repetia sempre que lhe faziam uma pergunta, "You can  have it any colour you like" uma referência a Tom Ford que dizia quando perguntado sobre a cor do Ford T: "Você pode te-lo na cor que desejar, desde que seja preto".

9-Brain Damage

Impossível ouvir esta música e não pensar em Syd Barret. A tema da canção como o titulo sugere é sobre a loucura, e como a desobediência exagerada de certas regras da sociedade pode ser sinal de insanidade.

"The lunatic is on the grass./The lunatic is on the grass./Remembering games and daisy chains and laughs."
"O lunático está no gramado./O lunatico está no gramado./Lembrando-se de jogos, correntes de margaridas e gargalhadas."

10-Eclipse
Muitos erroneamente pensam que esta faixa é uma continuação de "Brain Damage", por não haver um intervalo entre uma canção da outra. Porém são canções distintas com letras, melodias e significados diferentes.
O tom dramático que todo o álbum possui, dá um descanso nesta faixa e percebe-se a intenção de concluir tudo o que foi discutido em "The Dark Side of the Moon"
No final ouve-se:

"There is no dark side of the moon really.Matter of fact it's all dark"

"Não há um lado escuro na lua, na realidade.Na verdade ela é toda negra"



A lenda "The Dark Side of Oz"
Uma das maiores lendas ao redor do álbum "The dark Side of the Moon", está relacionada ao filme "O mágico de Oz" de 1939. A sincronia entre o filme e o álbum é imensa, dando até para usar o disco como trilha sonora para o longa, porém nenhum dos integrantes do Pink Floyd admite a inspiração. 
"The Dark Side of Oz" e "The Dark Sie of Rainbow" são dois nomes comumente usados para descrever este fenômeno.Ao tocar o álbum e o filme simultaneamente, ocorre os seguintes fatos:

  • Quando Dorothy está na fazenda e olha para cima, do nada surge um barulho de avião;
  • Quando Dorothy pisa pela primeira vez na estrada de tijolos amarelos, aparece o som da caixa registradora de "Money";
  • Quando a bruxa do Oeste aparece é tocada a palavra Black
  • A cena em que Dorothy encontra o Espantalho, personagem que não tem cérebro, é acompanhada pela música "Brain Damage";
  • O bater do coração no final do álbum ocorre quando Dorothy tenta ouvir o coração do Homem de Lata;
  • No momennto em que a bruxa lança bolas de fogo em Dorothy, a música começa a gritar "run"(corra);
  • No momento em que Drothy encontra o mágico de Oz começa a tocar "Us and Then", e a palavra Us, na música soa como Oz;
  • A duração da maioria das maiorias das músicas coincide precisamente com a duração das maiorias das cenas.
Confira o filme abaixo acompanhado da música:

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